quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A Urna e o Palácio

Na boca do outono, o Rio Grande entra em campanha
e o Piratini finge que virou praça,
quando continua sendo sala de reunião de poucos.

Um perfil aparece como figura de fundo:
serve para ilustrar democracia de catálogo,
não para disputar projeto de poder.

Outro veste figurino importado de guerra cultural:
fala em liberdade com sotaque estrangeiro,
vende tarifaço como solução,
promete Estado enxuto enquanto engorda banco e consulado.

Há o candidato das pesquisas ingratas:
não sobe em número algum, por isso sobe o tom.
Produto de gabinete, descobre de repente
que precisa conversar com lotação, periferia, chão de fábrica.
Vende gestão, entrega continuidade do mesmo condomínio de poder.

E há uma candidatura que traz memória no sobrenome,
herança de comício em praça, de escola como direito,
de salário como compromisso.
Não é mito de museu, é aposta de trabalhismo vivo,
de povo no centro da equação.

No papel, são quatro opções.
Na prática, é teste de coragem histórica:
figurante que legitima o espetáculo,
eco submisso de tarifaço estrangeiro,
gestão ansiosa pra manter a engrenagem,
ou esperança que não pede desculpa por ser popular.

A urna não pergunta nomes,
pergunta se o Rio Grande ainda se lembra
que já foi laboratório de ousadia
e não apenas administrador educado
do próprio declínio.

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