DIAP projeta baixa renovação e aponta maior força para PT-PCdoB-PV, PL e PP-União. Entre os 31 deputados gaúchos, 26 tentam continuar no cargo. Nas chapas menores, há risco de não eleger ninguém
A urna pode renovar a
bancada gaúcha na Câmara dos Deputados, mas, antes disso, terá de vencer a
força de quem já ocupa o mandato. Dos 31 parlamentares do Rio Grande do Sul, 26
tentam a reeleição em 2026, o equivalente a 83,87% da bancada. O número consta
do prognóstico do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP),
que identifica nomes competitivos e projeta quantas cadeiras cada partido ou
federação poderá conquistar.
O dado mais revelador,
contudo, não é apenas o tamanho da fila de deputados que querem permanecer em
Brasília. As maiores chapas têm mais nomes competitivos do que vagas
projetadas. Um candidato pode ter votação expressiva e ainda depender do
desempenho coletivo da legenda. Da mesma forma, a força do partido não garante
a eleição de cada nome incluído no levantamento.
A federação PT-PCdoB-PV
aparece com seis a sete cadeiras. Na disputa estão os deputados Denise Pessôa,
Maria do Rosário, Alexandre Lindenmeyer, Bohn Gass, Marcon e Daiana Santos,
todos candidatos à reeleição. O levantamento também inclui Laura Sito, Reginete
Bispo e Miriam Marroni. São seis parlamentares tentando renovar o mandato em
uma chapa com piso de seis vagas. Isso, porém, não significa que os seis serão
eleitos. Eles também disputam espaço com os demais nomes da federação.
No PL, a previsão é de
cinco a sete cadeiras. Osmar Terra, Giovani Cherini, Bibo Nunes, Marcelo Moraes
e Maurício Marcon tentam se reeleger. Também constam da relação Marcelo Ustra,
Jesse Sangalli, Fernanda Barth, Marciano Perondi e Diogo Segabinazzi. A legenda
pode preservar espaço na bancada gaúcha e abrir passagem para novos nomes. Quem
ocupará as vagas dependerá da votação, não da ordem em que os candidatos
aparecem na tabela do DIAP.
A federação PP-União
Brasil tem faixa de cinco a seis cadeiras. Covatti Filho, Any Ortiz, Pedro
Westphalen, Afonso Hamm e Luiz Carlos Busato buscam novo mandato. Onyx
Lorenzoni, Mariana Lescano Moro e Patrícia Tainê Beck também estão entre os
nomes listados. A presença de cinco deputados em exercício e de outros
concorrentes com trajetória política torna a disputa interna um dos pontos
decisivos da chapa.
Somadas, as faixas
dessas três chapas vão de 16 a 20 cadeiras. Esse intervalo resulta da soma das
projeções individuais de cada grupo, não de uma previsão fechada para o
conjunto. Ainda assim, mostra onde o estudo concentra a maior parte das vagas
gaúchas. Para os demais partidos e federações, as margens são mais estreitas.
O PSD tem previsão de
três a quatro deputados. Lucas Redecker, Heitor Schuch e Danrlei de Deus tentam
a reeleição, enquanto Luciano Azevedo e Fábia Richter aparecem entre os
concorrentes. No Republicanos, a estimativa é de duas a três cadeiras. Carlos
Gomes e Franciane Bayer buscam novo mandato, e Gustavo Grehs e Ronaldo Nogueira
integram a relação de nomes competitivos.
O PDT tem duas vagas
projetadas, o mesmo número de deputados da sigla que tentam a reeleição, Afonso
Motta e Pompeo de Mattos. O MDB aparece com uma a duas cadeiras. Alceu Moreira
busca permanecer na Câmara, enquanto Patrícia Bazotti e Fátima Daudt também
figuram no levantamento. Na federação PSOL-Rede, com previsão de uma a duas
vagas, Fernanda Melchionna tenta novo mandato e Carlos Robaina aparece entre os
concorrentes.
Para algumas chapas, o
prognóstico admite até mesmo a possibilidade de não eleger ninguém. O Podemos
reúne Maurício Dziedricki e Rony Gabriel. No Novo, aparecem Felipe Zortea e
Fábio Ostermann. Daniel Trzeciak tenta a reeleição pela federação PSDB-Cidadania.
Cada uma dessas chapas tem projeção de zero a uma cadeira. Seus candidatos
constam da lista de competitivos do DIAP, mas a conquista da vaga permanece
incerta.
O quadro gaúcho
acompanha uma tendência nacional. Segundo o DIAP, 438 dos 513 deputados
federais tentam a reeleição, e a projeção é de que 297 a 315 consigam
permanecer na Câmara. Se a estimativa se confirmar, a renovação ficará entre
39% e 43%, abaixo da média histórica observada desde 1990. Quem já ocupa
mandato chega à disputa com vantagens que dificultam, embora não impeçam, a
entrada de novas lideranças.
O levantamento não é
pesquisa eleitoral nem relação de futuros eleitos. Para elaborar o prognóstico,
o DIAP considera pesquisas de intenção de voto, histórico eleitoral,
recandidaturas, estrutura de campanha e estratégias partidárias, entre outros
fatores. A ressalva importa porque as faixas estimam quantas cadeiras um
partido ou federação pode conquistar. Elas não atribuem essas cadeiras
antecipadamente aos nomes listados.
A pergunta para outubro,
portanto, vai além de quantos deputados gaúchos conseguirão renovar o mandato.
Importa saber se as chapas abrirão espaço para novas lideranças ou se a
concorrência interna conservará quase intacto o grupo que hoje representa o Estado
em Brasília. A eleição permite mudança. O prognóstico mostra o tamanho dos
obstáculos que ela terá de superar.
Fonte:
DIAP, Prognóstico do Novo Congresso Nacional — Eleições 2026; material
complementar As bancadas da nova Câmara.


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