quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A disputa pela Câmara no RS começa dentro das próprias chapas

 
Agência Brasil

DIAP projeta baixa renovação e aponta maior força para PT-PCdoB-PV, PL e PP-União. Entre os 31 deputados gaúchos, 26 tentam continuar no cargo. Nas chapas menores, há risco de não eleger ninguém

A urna pode renovar a bancada gaúcha na Câmara dos Deputados, mas, antes disso, terá de vencer a força de quem já ocupa o mandato. Dos 31 parlamentares do Rio Grande do Sul, 26 tentam a reeleição em 2026, o equivalente a 83,87% da bancada. O número consta do prognóstico do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), que identifica nomes competitivos e projeta quantas cadeiras cada partido ou federação poderá conquistar.
O dado mais revelador, contudo, não é apenas o tamanho da fila de deputados que querem permanecer em Brasília. As maiores chapas têm mais nomes competitivos do que vagas projetadas. Um candidato pode ter votação expressiva e ainda depender do desempenho coletivo da legenda. Da mesma forma, a força do partido não garante a eleição de cada nome incluído no levantamento.
A federação PT-PCdoB-PV aparece com seis a sete cadeiras. Na disputa estão os deputados Denise Pessôa, Maria do Rosário, Alexandre Lindenmeyer, Bohn Gass, Marcon e Daiana Santos, todos candidatos à reeleição. O levantamento também inclui Laura Sito, Reginete Bispo e Miriam Marroni. São seis parlamentares tentando renovar o mandato em uma chapa com piso de seis vagas. Isso, porém, não significa que os seis serão eleitos. Eles também disputam espaço com os demais nomes da federação.
No PL, a previsão é de cinco a sete cadeiras. Osmar Terra, Giovani Cherini, Bibo Nunes, Marcelo Moraes e Maurício Marcon tentam se reeleger. Também constam da relação Marcelo Ustra, Jesse Sangalli, Fernanda Barth, Marciano Perondi e Diogo Segabinazzi. A legenda pode preservar espaço na bancada gaúcha e abrir passagem para novos nomes. Quem ocupará as vagas dependerá da votação, não da ordem em que os candidatos aparecem na tabela do DIAP.
A federação PP-União Brasil tem faixa de cinco a seis cadeiras. Covatti Filho, Any Ortiz, Pedro Westphalen, Afonso Hamm e Luiz Carlos Busato buscam novo mandato. Onyx Lorenzoni, Mariana Lescano Moro e Patrícia Tainê Beck também estão entre os nomes listados. A presença de cinco deputados em exercício e de outros concorrentes com trajetória política torna a disputa interna um dos pontos decisivos da chapa.
Somadas, as faixas dessas três chapas vão de 16 a 20 cadeiras. Esse intervalo resulta da soma das projeções individuais de cada grupo, não de uma previsão fechada para o conjunto. Ainda assim, mostra onde o estudo concentra a maior parte das vagas gaúchas. Para os demais partidos e federações, as margens são mais estreitas.
O PSD tem previsão de três a quatro deputados. Lucas Redecker, Heitor Schuch e Danrlei de Deus tentam a reeleição, enquanto Luciano Azevedo e Fábia Richter aparecem entre os concorrentes. No Republicanos, a estimativa é de duas a três cadeiras. Carlos Gomes e Franciane Bayer buscam novo mandato, e Gustavo Grehs e Ronaldo Nogueira integram a relação de nomes competitivos.
O PDT tem duas vagas projetadas, o mesmo número de deputados da sigla que tentam a reeleição, Afonso Motta e Pompeo de Mattos. O MDB aparece com uma a duas cadeiras. Alceu Moreira busca permanecer na Câmara, enquanto Patrícia Bazotti e Fátima Daudt também figuram no levantamento. Na federação PSOL-Rede, com previsão de uma a duas vagas, Fernanda Melchionna tenta novo mandato e Carlos Robaina aparece entre os concorrentes.
Para algumas chapas, o prognóstico admite até mesmo a possibilidade de não eleger ninguém. O Podemos reúne Maurício Dziedricki e Rony Gabriel. No Novo, aparecem Felipe Zortea e Fábio Ostermann. Daniel Trzeciak tenta a reeleição pela federação PSDB-Cidadania. Cada uma dessas chapas tem projeção de zero a uma cadeira. Seus candidatos constam da lista de competitivos do DIAP, mas a conquista da vaga permanece incerta.
O quadro gaúcho acompanha uma tendência nacional. Segundo o DIAP, 438 dos 513 deputados federais tentam a reeleição, e a projeção é de que 297 a 315 consigam permanecer na Câmara. Se a estimativa se confirmar, a renovação ficará entre 39% e 43%, abaixo da média histórica observada desde 1990. Quem já ocupa mandato chega à disputa com vantagens que dificultam, embora não impeçam, a entrada de novas lideranças.
O levantamento não é pesquisa eleitoral nem relação de futuros eleitos. Para elaborar o prognóstico, o DIAP considera pesquisas de intenção de voto, histórico eleitoral, recandidaturas, estrutura de campanha e estratégias partidárias, entre outros fatores. A ressalva importa porque as faixas estimam quantas cadeiras um partido ou federação pode conquistar. Elas não atribuem essas cadeiras antecipadamente aos nomes listados.
A pergunta para outubro, portanto, vai além de quantos deputados gaúchos conseguirão renovar o mandato. Importa saber se as chapas abrirão espaço para novas lideranças ou se a concorrência interna conservará quase intacto o grupo que hoje representa o Estado em Brasília. A eleição permite mudança. O prognóstico mostra o tamanho dos obstáculos que ela terá de superar.
Fonte: DIAP, Prognóstico do Novo Congresso Nacional — Eleições 2026; material complementar As bancadas da nova Câmara.

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