quinta-feira, 22 de outubro de 2026

A eleição


Quinho

Abriu-se a urna. Veio o susto.
No alto, a vitória já tinha dono.
Mas o país que acorda às cinco
saiu às ruas e tirou-lhes o sono.

Banqueiro em escândalo, rombo bilionário.
A culpa dos pobres no editorial.
A imprensa comprada cobrava equilíbrio,
poupando o banqueiro nas páginas do jornal.

O herdeiro vendia a velha receita:
porrete embaixo, privilégio em cima.
O clã, há décadas servido pelo Estado,
sem projeto, pedia mais poder.

O filho do povo voltou às ruas.
Não era um retrato pedindo altar:
era gente cansada de viver de joelhos,
redescobrindo a força de se juntar.

Pelo fim da seis por um, a praça rugia.
O Congresso contava a multidão e cedia.
Quem compra deputado conhece o preço;
quem enfrenta um povo aprende o limite.

Pesquisa a pesquisa, a distância caía.
Na última, empate. Ninguém mais sorria
à mesa dos donos da grande certeza.
O povo chegava sem pedir cadeira.

Domingo. A fila dobrando a escola.
Depois, cada voto. A tela. A tensão.
Até que virou — e o grito guardado
sacudiu as janelas, ganhou a nação.

Não foi o destino. Não foi um presente.
Foi voto, foi rua, foi gente com gente.
O filho do povo
venceu com os seus.
E o povo ficou:
a vitória era sua.

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