Em ano eleitoral, a mansão de R$ 6
milhões pode se tornar a ponta de um iceberg financeiro capaz de desgastar o projeto
político bolsonarista
A seis meses das eleições, a
transação imobiliária milionária volta a assombrar o senador Flávio Bolsonaro
(PL), cotado para suceder o pai no Palácio do Planalto. O parlamentar adquiriu
uma mansão de R$ 6 milhões no exclusivo Lago Sul, em Brasília, parcialmente
financiada pelo Banco de Brasília (BRB). A vendedora foi a RVA Construções e
Incorporações, empresa especializada em imóveis de alto padrão. O caso, no
entanto, vai muito além de uma simples compra de luxo, revelando uma rede de
conexões empresariais, no mínimo, intrigante, com reflexos no cenário político
e eleitoral.
É que a Super Empreendimentos e
Participações, outro player do mercado de imóveis de alto padrão no Distrito
Federal, está implicada nas apurações que envolvem Daniel Vorcaro, acionista do
Banco Master, supostamente favorecido por linhas de crédito do BRB. Registros
públicos da CVM apontam o Fundo Termópilas, gerido pela REAG Trust (CBSF DTVM),
como o principal acionista da Super Empreendimentos e Participações. O Trust
administra o fundo Gold Style, que recebeu cerca de R$ 1 bilhão de empresas
ligadas ao PCC e enviou R$ 180 milhões para a Super Empreendimentos. Entre 2021
e 2024, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, atuou como diretor da empresa,
reforçando o papel de canal financeiro desse grupo.
Não há uma relação direta entre a
RVA Construções e Incorporações e a Super Empreendimentos e Participações, nem
indício formal de participação societária entre elas. Mas chama atenção que
ambas operam dentro da mesma rede de negócios, principalmente financiadas pelo BRB, ligadas
direta ou indiretamente a personagens centrais do caso Master e realizando
operações imobiliárias de alto valor na capital federal, muitas vezes próximas a figuras
políticas.
Com potencial de resetar a República, o caso Master segue causando mal-estar em Brasília e expõe, em ano eleitoral, uma rede de conexões que pode implodir as ambições presidenciais de Flávio Bolsonaro. A associação entre financiamento bancário, fundos sob investigação, imóveis de alto valor e operações ligadas a figuras do crime organizado e a atores políticos ajuda a formar um caldo social de desconfiança que pode corroer a base eleitoral que sustenta a candidatura do 01.


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